quinta-feira, 12 de novembro de 2009















Das silhuetas às barricadas

No princípio, era o tal feminismo.
Englobou-se um monte de idéias distintas e grupos cheios de intenções diferentes - e muitas vezes contrastantes ao extremo - em um único nome, em uma única luta que passou a ter cara de homogênea.
Se era mulher e se juntava a outra mulheres, era feminista. Mãe solteira? Feminista... Trabalha, goza, estuda, grita, não cozinha, luta? Batata: é feminista!
Mas, como diria um amigo, muita calma!!!
Pensar movimentos feministas e/ou liderados por mulheres como um só, como o "Movimento Feminista" é pura bobagem. Vejamos: umas (tais) feministas queimavam sutiãs; outras queimavam os homens, numa espécie de misoginia às avessas em que dar um tiro em Andy Warhol e trocar uma sociedade falocêntrica por uma vulvocêntrica (ou vaginocêntrica?) parecia resolver os problemas. Tem "Deus-Mãe" ao invés do "Deus-Pai" há mais de 40 anos com a teologia feminista bem ausente nos cursos teológicos e nas missas de domingo.
E por que não homens feministas, mulheres machistas ou indivíduos não alinhados à Isso ou Àquilo, mas à Outros?
Esse texto é só uma diluição desse rotulador ("feminismo") que limitaria as idéias às remetendo à qualquer conceito pré-formado, enlatado, fazendo com que não se cumprisse sua função como arte, linguagem e masturbação estética. Função esta de propor discussões e expôr, do concreto ao absurdo (cinema fantástico!), da experiência ao abstrato, do poético ao obceno, de tudo ao caos. Idéias não de mulher pra mulher, mas pra quem tiver afim de ler. Idéias, sim, de mulheres, mas não daquelas em que esmalte, cabelo, horóscopo, receitas novas, filhos, modas, etc etc deixam qualquer uma feliz. Outras mulheres. Nós, inclusive.

(só um trecho de um texto-zine de outros olhares, mas que coube aqui)

Postado por: Katch a Fire.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Trotski e a NPE ( Nova Política dos Estudantes)









Teria sido em 1922, uma guerra civil aqui, umas fomes acolá que os trotes animalísticos nas faculdades (mentais, psíquicas?) de todo o país – quiçá do mundo - teriam sido criados?

Blasfêmia em demasia. A procura de uma origem, um “era assim lá em não sei quando” seria quase uma perda de tempo nesse momento em que fast food trabalha assim:

- Confere: três hambúrgueres, um livro do Kuhn, dicionário bilíngüe e um copo grande de café sem açúcar. Fritas acompanha, compañero?

Há em tese uma grande teoria acompanhando toda a gritaria e tinta de cada começo de ano e início de ciclo.

A começar: integração pelo seu contrário. Com toda tensão criada – e confessemos que isso às vezes leva ao choro compulsivo dos menos aptos - , cria-se um elo entre os perdidos, recém-chegados e essa sensação de pertencimento a um grupo de minoria oprimido irá criar laços de amizade. Então, o fortalecimento da “classe bixística” irá agregar as diferenças para formular a próxima opressão no início do próximo ciclo, quando a hierarquia é, em partes, rompida. A condição é elevada – vira-se veterano -, mas o estado é eterno- sempre se será bixo de alguém.

Outro ponto é a desconstrução da vitória. Depois de passadas horas em frente a livros (e livros e livros e livros), poucas trepadas e muitas noites sem dormir, passar no vestibular é uma vitória. Mas isso não quer dizer absolutamente nada. O que virá será outro mundo e as distinções – teoricamente- não serão feitas no interior da Perversidade (ou Universidade, prefira um). Você é só mais um, malandro (e malandro é o gato que nasce de bigode)

Tudo é dual, no entanto. Blábláblá, esse é um novo mundo de conhecimento, blábláblá, você terá que continuar tentando passar por cima de algum idiota pra conseguir alguma coisa e se não quiser tchau, seu lugar não é aqui. Você continuará noites sem dormir, mas ao menos irá trepar mais. E será induzido a pegar o diploma, acenar para a câmera de seus parentes emperequetados e sorrir achando que venceu alguma coisa.

Mas... voltando ao trote.

Tem a parada da solidariedade. E tem mesmo. Tem gente que doa sangue e tem gente que vai beber em cerveja a grana das pessoas que têm mais de quinze mil pra comprar um carro. Completamente viável (e isso não é irônico). Desintegrar os cursos, falar mal das outras faculdades, persistir nos estigmas docentes e unificar as opiniões sobre aquele mundo que acabará em... 4,3,2,1 anos. Isso sem contar as Depreciativas Permanências (DPs). Pintam a cara porque agora você irá ser uma nova pessoa (transmutação existencial) e pode-se escolher a veste, se quiser.

Animador a Faculdade, não?


Postado por: Kátia on the sky (whit diamonds)

sábado, 13 de junho de 2009

A orgia das Descobertas

Dizem as boas e as más línguas também, que um dia vários Manueis e Joaquins resolveram testar a agilidade daqueles barquinhos que faziam naquela escola de Sagres (que, agora, segundo atesta um historiador brasileiro jamais existiu). Juntaram-se a um tal de Cabral e chegaram num pedaço de terra, do outro lado do Atlântico, no qual a vida litorânea era bem mais interessante do que nos portos de Lisboa. Segundo consta, esses portugueses foram mais espertos do que o tal espanhol Colombo, que morreu achando que tinha chegado às Índias. Neste aspecto, os portugueses lograram muito, pois não só receberam as novas terras como elas eram como resolveram aproveitar tudo o que podiam e depois chegar a tal das Índias, demoraram um pouco, no Brasil tinha mais coisas interessantes.
Anos depois, naufragou um conterrâneo desses mesmos e foi ele quem deu por aberta, oficialmente, a orgia das descobertas, Diego Álvares Correia, mais conhecido como Caramuru. Conta-se que não satisfeito com a filha oferecida pelo cacique tupinambá ainda flertava com a irmã.
Assim, portugueses e afins europeus se tornaram hereges perante as belezas do novo mundo. Embrenharam-se no meio das matas e pouco se lixaram para o tribunal da santa inquisição que os desejavam para o churrasquinho do domingo. Uns acreditaram que fossem desbravadores, o catolicismo metódico de devassos e as índias tiveram a mesma sensação que a Geni nas mãos do comandante do Zepelim. O olhar europeu grosseiro não entendeu que nudez era para ser admirada e não explorada.
Camila Maria

quarta-feira, 10 de junho de 2009

De como Leonel Brizola e João Goulart saem do Brasil em Trajes Mulherís Lá pelas Bandas de 60.

Ao término do dia, tilintou o telefone:
- Alô?
- Janguitcho? É o Brizola!
- Fala, Briza, tudo certo?
- Tudo ótimo! Tenho uma ótima novidade!
- Manda.
- Consegui dois ingressos pra ir naquela festa a fantasia que te falei, lembra?
- Ih, lembro não...
- Aquela no Uruguai, que a Carminha tá organizando...

- Ah, sei, sei. Sério que você conseguiu? Só você mesmo!!! Me conta aí como você pilantrou dessa vez...
- Há, há, eu tenho meus contatos, você sabe. Tava no sindicato fumando “um” quando o González apareceu lá e largou os convites na minha mão. Falou que tava vazando do país... sei lá, só sei que vai ser o bixo.
- Pois é, mas eu nem tenho fantasia...
- Nem eu. Ferrou! Tá encima da hora...
- Ah, vamos pegar alguma coisa lá em casa mesmo.
- Boralá.
Pegaram o Chevette verde estacionado no Palácio e passado pouco mais de uma hora, Brizola se impacienta:
- Porra, Jango, você é uma lesma na direção. Nunca vi. Acho que você deveria se arriscar mais...aqui, ó, vira à esquerda!
- À esquerda?
- É, eu sei o que eu tô falando. Se você virar à direita, vai ferrar todo o caminho, vai retroceder! À esquerda, vai...
E assim foi Jango, sempre tranqüilo...
Chegaram sem muitos percalços no caminho. A esposa de Jango tinha saído, deixan
do o espaço (e o armário) livre para os dois. Como não tinham muito tempo, encheram uma mochila de tudo que viam pela frente e zarparam para o centro.
- Porra, Brizola, que confusão é essa aqui na Central?
- Sei lá, vamos ver.
E desceram do carro, eufóricos como dois adolescentes em plena puberdade, levados pelos hormônios. Chega um hippie:
- E aí, bixo! Tu que ééé o da Jangada, nénão?
- Haha, eu mesmo. Prazer.
- Porra, cara, o prazer que é meu e da terra, bixo. Toma aqui um goró pra esquentar a noite.
E foi assim que em tempos (e em goles) de dois que Jango e Brizola ficaram deveras embriagados. Bêbados. Fedendo a pinga barata. E Jango vociferava:
- Láláiáláiá, não quero choro nem vela....quero uma fiiiiiiita amarela ...gravada (sic) com o nome deeeeeeeeela...canta, Briza!

- Fica quieto, Jango. Tu ta passando vergonha, mermão!
- Eu quero é falaaaar! (sic) Quer saber, vou lá encima (aponta pra direita e depois pra esquerda) e falar com to-do mundo(sic) que ta aqui!
E então, mais bêbado que o Batman, Jango fala, fala, fala e todo mundo ouve, ouve e aplaude e alguém lá no meio disse na saída:
- Belo comício do Jango. Honrou, fez bonito!
- É, enfeitou o Central. Concordo.
Mas daí como todo bom boêmio, Brizola arruma confusão por um rabo de saia, sai correndo pela multidão e encontra o amigo.
- Bora zarpar, Janguitcho! Tão querendo me arrancar o coro ainda vivo. A guria era casada!
- Já vi essa história um milhão de vezes...vamos, vai (sic!).
Correndo, tropeçando e rindo, os dois beberrões chegam no carro e decidem se vestir com as roupas trazidas, para disfarçarem-se. Era a lógica irracional etílica.
- Mas, cacete, Jan, só tem roupa de mulher aqui!
- Você queria o quê? Catamos tudo do guarda-roupa da mulé. Veste logo e não reclama!
Seguiram a 130, 140, 150 quilômetros por hora e não tardaram a chegar en tierra de nuestro hermanos. Cocotas, sorriram de alegria; bêbados, gargalharam de um tal de “exílio” que ouviram no noticiário das sete.
- É melhor assim, Briza. Minha mulher fica puta quando vou numa festa sem ela e chego tarde...

Publicado por: Catch a Fire

sexta-feira, 1 de maio de 2009

No início, era verso.


Sem lenço, sem documento e com um bocado de cerveja na geladeira, faremos desse espaço cibernético e "muderno" - como diria um grande amigo barbado - uma sala de casa aberta aos olhos, uma degustação de palavras da infâmia sobre aquilo tudo que tanto gostamos: a História.
Partimos então da difamação: de ouvido a ouvido, o valor simbólico (e irônico) de todos os boatos como mote primordial das nossas crônicas, que aqui serão jogadas, como carga em excesso de navio afundando. Sem muito, pra começar.
Desocupados do mundo, uni-vos!


Por Kátia Frávia