
Das silhuetas às barricadas
No princípio, era o tal feminismo.
Englobou-se um monte de idéias distintas e grupos cheios de intenções diferentes - e muitas vezes contrastantes ao extremo - em um único nome, em uma única luta que passou a ter cara de homogênea.
Se era mulher e se juntava a outra mulheres, era feminista. Mãe solteira? Feminista... Trabalha, goza, estuda, grita, não cozinha, luta? Batata: é feminista!
Mas, como diria um amigo, muita calma!!!
Pensar movimentos feministas e/ou liderados por mulheres como um só, como o "Movimento Feminista" é pura bobagem. Vejamos: umas (tais) feministas queimavam sutiãs; outras queimavam os homens, numa espécie de misoginia às avessas em que dar um tiro em Andy Warhol e trocar uma sociedade falocêntrica por uma vulvocêntrica (ou vaginocêntrica?) parecia resolver os problemas. Tem "Deus-Mãe" ao invés do "Deus-Pai" há mais de 40 anos com a teologia feminista bem ausente nos cursos teológicos e nas missas de domingo.
E por que não homens feministas, mulheres machistas ou indivíduos não alinhados à Isso ou Àquilo, mas à Outros?
Esse texto é só uma diluição desse rotulador ("feminismo") que limitaria as idéias às remetendo à qualquer conceito pré-formado, enlatado, fazendo com que não se cumprisse sua função como arte, linguagem e masturbação estética. Função esta de propor discussões e expôr, do concreto ao absurdo (cinema fantástico!), da experiência ao abstrato, do poético ao obceno, de tudo ao caos. Idéias não de mulher pra mulher, mas pra quem tiver afim de ler. Idéias, sim, de mulheres, mas não daquelas em que esmalte, cabelo, horóscopo, receitas novas, filhos, modas, etc etc deixam qualquer uma feliz. Outras mulheres. Nós, inclusive.
(só um trecho de um texto-zine de outros olhares, mas que coube aqui)
Postado por: Katch a Fire.




