sábado, 13 de junho de 2009

A orgia das Descobertas

Dizem as boas e as más línguas também, que um dia vários Manueis e Joaquins resolveram testar a agilidade daqueles barquinhos que faziam naquela escola de Sagres (que, agora, segundo atesta um historiador brasileiro jamais existiu). Juntaram-se a um tal de Cabral e chegaram num pedaço de terra, do outro lado do Atlântico, no qual a vida litorânea era bem mais interessante do que nos portos de Lisboa. Segundo consta, esses portugueses foram mais espertos do que o tal espanhol Colombo, que morreu achando que tinha chegado às Índias. Neste aspecto, os portugueses lograram muito, pois não só receberam as novas terras como elas eram como resolveram aproveitar tudo o que podiam e depois chegar a tal das Índias, demoraram um pouco, no Brasil tinha mais coisas interessantes.
Anos depois, naufragou um conterrâneo desses mesmos e foi ele quem deu por aberta, oficialmente, a orgia das descobertas, Diego Álvares Correia, mais conhecido como Caramuru. Conta-se que não satisfeito com a filha oferecida pelo cacique tupinambá ainda flertava com a irmã.
Assim, portugueses e afins europeus se tornaram hereges perante as belezas do novo mundo. Embrenharam-se no meio das matas e pouco se lixaram para o tribunal da santa inquisição que os desejavam para o churrasquinho do domingo. Uns acreditaram que fossem desbravadores, o catolicismo metódico de devassos e as índias tiveram a mesma sensação que a Geni nas mãos do comandante do Zepelim. O olhar europeu grosseiro não entendeu que nudez era para ser admirada e não explorada.
Camila Maria

quarta-feira, 10 de junho de 2009

De como Leonel Brizola e João Goulart saem do Brasil em Trajes Mulherís Lá pelas Bandas de 60.

Ao término do dia, tilintou o telefone:
- Alô?
- Janguitcho? É o Brizola!
- Fala, Briza, tudo certo?
- Tudo ótimo! Tenho uma ótima novidade!
- Manda.
- Consegui dois ingressos pra ir naquela festa a fantasia que te falei, lembra?
- Ih, lembro não...
- Aquela no Uruguai, que a Carminha tá organizando...

- Ah, sei, sei. Sério que você conseguiu? Só você mesmo!!! Me conta aí como você pilantrou dessa vez...
- Há, há, eu tenho meus contatos, você sabe. Tava no sindicato fumando “um” quando o González apareceu lá e largou os convites na minha mão. Falou que tava vazando do país... sei lá, só sei que vai ser o bixo.
- Pois é, mas eu nem tenho fantasia...
- Nem eu. Ferrou! Tá encima da hora...
- Ah, vamos pegar alguma coisa lá em casa mesmo.
- Boralá.
Pegaram o Chevette verde estacionado no Palácio e passado pouco mais de uma hora, Brizola se impacienta:
- Porra, Jango, você é uma lesma na direção. Nunca vi. Acho que você deveria se arriscar mais...aqui, ó, vira à esquerda!
- À esquerda?
- É, eu sei o que eu tô falando. Se você virar à direita, vai ferrar todo o caminho, vai retroceder! À esquerda, vai...
E assim foi Jango, sempre tranqüilo...
Chegaram sem muitos percalços no caminho. A esposa de Jango tinha saído, deixan
do o espaço (e o armário) livre para os dois. Como não tinham muito tempo, encheram uma mochila de tudo que viam pela frente e zarparam para o centro.
- Porra, Brizola, que confusão é essa aqui na Central?
- Sei lá, vamos ver.
E desceram do carro, eufóricos como dois adolescentes em plena puberdade, levados pelos hormônios. Chega um hippie:
- E aí, bixo! Tu que ééé o da Jangada, nénão?
- Haha, eu mesmo. Prazer.
- Porra, cara, o prazer que é meu e da terra, bixo. Toma aqui um goró pra esquentar a noite.
E foi assim que em tempos (e em goles) de dois que Jango e Brizola ficaram deveras embriagados. Bêbados. Fedendo a pinga barata. E Jango vociferava:
- Láláiáláiá, não quero choro nem vela....quero uma fiiiiiiita amarela ...gravada (sic) com o nome deeeeeeeeela...canta, Briza!

- Fica quieto, Jango. Tu ta passando vergonha, mermão!
- Eu quero é falaaaar! (sic) Quer saber, vou lá encima (aponta pra direita e depois pra esquerda) e falar com to-do mundo(sic) que ta aqui!
E então, mais bêbado que o Batman, Jango fala, fala, fala e todo mundo ouve, ouve e aplaude e alguém lá no meio disse na saída:
- Belo comício do Jango. Honrou, fez bonito!
- É, enfeitou o Central. Concordo.
Mas daí como todo bom boêmio, Brizola arruma confusão por um rabo de saia, sai correndo pela multidão e encontra o amigo.
- Bora zarpar, Janguitcho! Tão querendo me arrancar o coro ainda vivo. A guria era casada!
- Já vi essa história um milhão de vezes...vamos, vai (sic!).
Correndo, tropeçando e rindo, os dois beberrões chegam no carro e decidem se vestir com as roupas trazidas, para disfarçarem-se. Era a lógica irracional etílica.
- Mas, cacete, Jan, só tem roupa de mulher aqui!
- Você queria o quê? Catamos tudo do guarda-roupa da mulé. Veste logo e não reclama!
Seguiram a 130, 140, 150 quilômetros por hora e não tardaram a chegar en tierra de nuestro hermanos. Cocotas, sorriram de alegria; bêbados, gargalharam de um tal de “exílio” que ouviram no noticiário das sete.
- É melhor assim, Briza. Minha mulher fica puta quando vou numa festa sem ela e chego tarde...

Publicado por: Catch a Fire